Joe Bonamassa: Blues of Desperation Review joe_blues_of_desperation Full view

Joe Bonamassa: Blues of Desperation Review

Com narrativas renovadas e uma pitada de originalidade, o guitarrista consegue fazer de sua obra um momento único.

Joe Bonamassa é um daqueles músicos que não se vê por aí. Apaixonado por blues e com um estilo que se sobressai no meio da era dos sintetizadores, o guitarrista busca um som mais encorpado, orgânico e inspirador ao mesmo tempo com as onze novas músicas do seu 12º álbum, intitulado “Blues Of Desperation”.

“This Train” possui uma cadência direcionada mais ao Pop do que propriamente ao Blues. Caminhando a passos largos, a canção que abre o disco chega a um crescente repetitivo onde piano e guitarra, conseguem deixar a voz baritonal de Joe em segundo plano.

Enquanto isso a música “Drive” deixa tudo mais harmônico: ela possui a calma que o blues pode dar à alma. Composta praticamente como um Folk Blues, o tradicionalismo que a cadência melódica da guitarra de Bonamassa traz, misturada com a potência emocional que Joe coloca com sua voz, faz dessa música uma das mais lentas e o ponto alto do álbum.

A colocação de slides de efeito, que distorcem e prolongam a melodia principal, deixam tudo mais vivido, como se fosse possível sentir o vento batendo no rosto enquanto se caminha pelos cenários que a música te faz experimentar. Apesar do estilo característico e pelo amor ao Blues que o cantor dispõe, essa é uma composição tão bem colocada que é quase impossível esquecer nomes como Clapton e Frampton, claras inspirações, ao ouvir a canção.

Um groove forte, com guitarras de bastante atitude, pode ser ouvido em “Mountain Climbing” e “No Good Place For The Lonely”. Esta última, em especial, possui solos de guitarra em abundância. Os shapes das escalas pentatônicas maiores e menores deixam tudo mais interessante, com a rápida alternância entre elas utilizando como técnica de passagem, slides e ligados.

“Blues Of Desperation” faz com que você se sinta em uma Jam da banda Whitesnake em sua fase mais moderna, com melodias que poderiam ter sido compostas muito bem por Doug Aldrich. No entanto, os efeitos de um sintetizador discreto não são despercebidos, deixando tudo com uma pegada mais original, apesar da utilização de tais efeitos não condizer com as narrativas da obra em si.

“Distant Lonesome Train” reflete bem os aspectos mais marcantes do álbum em sua colocação. Uma guitarra que mistura groove e blues, em um vocal ora sintético, ora orgânico e natural. É interessante prestar atenção não nas notas em si, mas no silêncio entre elas.

O silêncio colocado por Joe entre as notas possui o tempo exato para que tudo fique nos conformes de uma narrativa condizente, que agrega muito à obra como um todo. É possível observar essa exploração das pausas entre as notas em uma das melhores composições do álbum, “How Deep This River Runs”.

Os temas tratados por Bonamassa são condizentes com o típico discurso do blues envolvendo todos os elementos folclóricos, que colocam o estilo onde sempre esteve, com viagens longas e solitárias de trem que inspiram os viajantes a comporem as melhores canções.

E com a utilização de todos esses elementos acima, a obra fica muito mais encorpada. O discurso pode ser o mesmo de sempre, mas as narrativas passam por toda uma outra abordagem, renovando-se a cada novo acorde de Joe. Se você não conhece o trabalho de Bonamassa, pode começar por esse álbum. Definitivamente não haverá arrependimentos.

Felipe Affonso
Redação TDM

Leave a comment