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REVIEW Matéria da Combate sobre o novo DVD – Muddy Wolf at Red Rocks

O cidadão é um nerd, um workaholic assumido, mas adquiriu uma posição invejável no mercado aos 37 anos de idade: pode fazer o que quiser, com quem quiser, tudo sem dar a menor satisfação. E lança quando achar melhor. O guitarrista norte-americano Joe Bonamassa é de uma competência absurda, e tudo o que toca parece que vira ouro. Desta vez o incansável coloca nas lojas “Muddy Wolf at Red Rocks”, fantástico DVD ao vivo.

Menos de um ano depois de lançar o elogiado álbum “Diffrerent Shades of Blue” e um ano e meio depois de cometer o desatino de lançar quatro DVDs duplos com os shows de sua passagem por quatro casas de shows de Londres em 2013, o novo trabalho explicita algo que é muito comentado no meio musical: Bonamassa parece incapaz de gravar e lançar algo ruim.

O novo DVD foi registrado em um lugar bastante especial: o anfiteatro rochoso de Red Rocks, no Colorado, quase no coração dos Estados Unidos, espaço que se tornou icônico depois que o U2 gravou ali, em 1983, o seu primeiro registro ao vivo em áudio e vídeo, “Under a Blood Red Sky”.

Inquieto e criativo, o guitarrista revisita algumas de suas principais influências no blues e foca o repertório em músicas que se tornaram hinos nas vozes de Muddy Waters e Howlin’ Wolf, dois dos mais aclamados bluesmen de todos os tempos. Perfeccionista, cuidou de cada detalhe das músicas e de cada arranjo, em um procedimento meticuloso. Para isso, só uma banda de feras poderia ser recrutada.

O astro da bateria Anton Fig volta a trabalhar com Bonamassa, assim como o respeitado tecladista Reese Wynans, que integrou a Double Troube, de Stevie Ray Vaughan. Temporariamente, o fiel baixista Carmine Rojas dá lugar a outra lenda do blues de Chicago, Michael Rhodes. Na gaita, um virtuose do instrumento, Mike Henderson.

Alguns hinos ganham peso e ficaram bem mais encorpados, como “Killing Floor”, “How Many More Years” e “Spoonful”. Já em “You Shook Me” (clássico de Willie Dixon imortalizado por Waters e também pelo Led Zeppelin e pelo Jeff Beck Group) e “I Can’t Be Satisfied” o guitarrista é mais reverente, mas com um feeling impressionante, em especial nos solos. “Double Trouble” e “My Home Is On the Delta” também são imperdíveis.

O final do show é reservado a músicas mais recentes de sua carreira solo, além da indefectível “The Ballad of John Henry”, o seu maior sucesso em carreira solo, assim como “Sloe Gin”. do álbum novo, “Hey Baby (New Rising Sun)”, de Jimi Hendrix, ganha uma versão mais grooveada, enquanto que a bela “Love Ain’t a Love Song” soa mais rápida e pesada.

Marcelo Moreira – Combate Rock

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